Hoje é um dia de luto. A exatos 47 anos o Brasil sofria com início do período mais obscuro e sombrio de nossa história, o golpe militar. Devemos relembrar e refletir sobre aqueles heróis esquecidos pela sociedade. A democracia que conhecemos foi calada, a imprensa foi censurada, não se podia discutir política livremente, pois tudo era considerado subversivo e contrario aos interesses de uma corja podre de militares. Que vontade de chorar pelas centenas de pessoas que foram torturadas, que tiveram suas famílias destruídas, suas vidas ceifadas de forma cruel e autoritária.
Hoje é um daqueles dias que temos que relembrar dos anos de chumbo e não podemos esquecer-nos de quem sofreu na pele as torturas nos porões do Dops, não podemos nos esquecer dos diversos artistas que tiveram que se exilar para não sofrerem.
Sinceramente chego a me emocionar. Quantas histórias minha mãe conta sobre as vezes que os agentes com seus ternos e carros pretos da Dops arrombaram a porta de sua casa e invadiam sem pedir licença, batiam no meu saudoso avô Manoel perguntando coisas que nem ele mesmo tinha conhecimento. Os poucos mantimentos que ficavam acondicionados em potes eram jogados no chão e misturados em meio a lama para que não pudessem ser utilizados. Memórias que eu não vi, mas consigo imaginar com detalhes tamanha crueldade.
Em uma dessas investidas, meu avô foi preso e ficou dois anos na cadeia, mas por sorte ou bênção divina ele conseguir sair com vida. Uma pena meu querido avô Manoel não estar aqui para contar.
É triste saber que 47 anos depois um Jair Bolsonaro ainda defenda a Ditadura Militar brasileira e dizer que seus heróis políticos são: Médici, Geisel e João Figueiredo. Dá nojo. Os heróis dele provocaram milhões de assassinatos, repressões, prisões arbitrarias e muitas outras atrocidades.
Neste dia, devemos lembrar-nos de todos os brasileiros que de uma forma ou de outra lutaram contra a repressão, todos os brasileiros que perderam sua vida, lembrar-se dos que ainda lutam pelas indenizações e pelo reconhecimento, vamos lembrar também do jornalista Vladimir Herzog morto pelo regime, dos intelectuais, artistas e políticos que foram exilados, enfim de todos que resistiram a Ditadura.
E devemos lembrar ainda dos militares, policiais, agentes, que torturaram, mataram, perseguiram e nunca foram julgados pelos crimes cometidos.



